Análises, Surtos e Etc

Vitrine do meu trabalho.

Thursday, March 30, 2006

Eis que de repente me percebo Louuuuco novamente

Eis que de repente me percebo louco, louco, louco novamente.
Louco por não ser mais o mesmo e ainda agora não saber quem sou. Louco pois há algo de diferente que vem tomando conta da gente e assim...
tudo mudou.
E mudou de um jeito que eu nem vi, nem percebi. Na hora em que algo pareceu fazer sentido, quase pensei que não fosse comigo.
Porém me vi refletido no espelho, no espelho, no espelho. Aquele mesmo cabelo repartido no meio.
E por mais outro que eu esteja, no fundo um pouco daquele mesmo EU esbraveja, esbraveja.
Alguma coisa de que nem me lembro mais, disparou um certo gatilho (pow, pow, pow)
e toda minha vida saiu do trilho, do trilho (piuí, piuí).
Pensei que não fosse agüentar. Tive desejos de desistir. Mas obrigado a lutar,
fui mecanicamente vivendo sem sorrisos, apenas lágrimas (buá, buá).
E nada fazia sentido, e nada valia nada...
Até que um ruído me despertou: era um som desconhecido - talvez na verdade esquecido – era o som da minha risada, que explodia em hahahahahaha (gargalhada!).
Tive medo de mudar, de não ser mais eu, de não conseguir, de não ser mais o mesmo, de não me reconhecer!
Mas eu RE-conheci muito mais, agora sei do que sou capaz.
A vida muda todo o tempo, tudo muda o tempo todo.
A vida muda todo o tempo, tudo muda o tempo todo.
E no medo da mudança está o medo da morte
E o medo da morte é o medo da vida.
(O medo da morte é o medo da vida).
Mate seus eus errôneos, deixe outros eus nascerem.
E como diz o Gabriel, O Pensador:
“seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo”
“seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo”
Eis que de repente me percebo louco, louco, louco novamente
E é assim nesta loucura que me sinto cada vez mais GENTE!

Wednesday, March 29, 2006

Eu, o Tempo e o Mundo

Têm horas que a gente se cansa de ouvir. Cansa de falar. Cansa de sentir. Dá vontade de gritar, chorar, bater. Não mais sorrir.
Aí eu não quero mais ser. Quero desaparecer. Que vida para se esconder e toda hora ter que se conter. Que mundo para se habitar e toda hora querer mudar. Que cabeça para pensar se o coração pra atrapalhar. De onde tirar forças quando tudo parece desabar?
E ainda assim ele está a passar. O tempo.
E ainda assim ele está a girar. O mundo.
E ainda assim ela está a angustiar. Eu.
Eu, o tempo e o mundo. Eu que sinto profundo.
O tempo, o mundo e eu. O tempo que não é meu.
O mundo, eu e o tempo. O mundo. O tempo. E eu?
Eu só queria me encontrar e descobrir o meu lugar. Eu só queria ajudar e de algum jeito melhorar. Eu só queria aprender pra realmente merecer a qualidade de ser.
Que certeza pra ter. Na dúvida basta crer.

Eu vim pra confundir

Eu sou mesmo algo de muito estranho. Quando eu amo muito, eu amo tanto que odeio. Eu odeio, eu sinto ódio. Ódio, inveja, raiva, ciúmes, posse, saudade, desejo, necessidade...e isso me irrita.
Como é possível que eu goste com tanta coisa ruim? Também não sei, desconheço esta resposta e também a origem de toda fúria e agressividade que acompanham tão imenso sentimento.
Imenso e intenso em tudo que sou, que fui, que serei. Imensa e intensa em arte, em cor, em cheiro, em dor, em hipocrisia, egoísmo e tudo mais que tudo é.
Amor com dor, tesão com ódio, carinho com raiva, vontade com posse, desejo com amizade, gargalhadas e lágrimas.
Profunda solidão de barulhentos pensamentos que se revezam numa balbúrdia incessante que me alucina a mente e não me aquieta a alma. Puro delírio. Um surto.
A verdadeira delícia tão terrível que dá medo...e pânico do medo...e mais medo e mais pânico...e mais amor com ódio.
Escrevendo vou admitindo essa minha falta de princípios como um ser que jura ter fé sem querer ser fiel.
Não sei se sinto amor real. Nem mesmo confiança total. Duvido até das minhas dúvidas e só no tempo eu acredito, porque ele não deixa margens à duvidas.
Crise existencial sim, e muita. Tudo confuso. E nessa verdadeira transmutação interestelar de idéias e sensações, vou enlouquecendo nas letrinhas e com elas sim eu me deleito!
Nas palavras que vomito eu me derramo intensa, imensa, sem dó, sem pudor, sem piedade, sem verdade...sem nem ao menos querer ser compreendida, mas sim eternizada, adorada, admirada. Na esperança de ser lida.

Eu sou o Tudo e o Nada

Chega de tabus. Há certos momentos em que a caveira de manto negro e foice na mão senta no sofá da nossa sala e nos convida para um chá.
Essa semana a senhora das trevas veio de malas e nécessaire passar um tempo na casa dos meus avós.
Por coincidência ou destino (?), vim também pra cá, em visita ao meu avô adoentado.
Ao me deparar com ela, foram desnecessárias apresentações. Eu sabia quem ela era - e que motivo de sua visita era o mesmo da minha.
A princípio me senti angustiada e desconfortável com aquela presença macabra impondo-se para mim.
Considerei-a prepotente, injusta e arrogante. Mas, desviei minha raiva dela e acabei despejando nas pessoas ao meu redor.
Só que a raiva virou ódio quando eu a vi totalmente à vontade, relaxada na cadeira do meu avô, tomando a água de coco dele, como se a casa fosse sua.
E aí, me subiu uma vontade enorme de matar a morte!
Matar a morte?
Com o absurdo de meus próprios pensamentos, decidi me calar, antes que a insanidade se tornasse pública e a família decidisse me internar com uma camisa de força.
Então fiz o que era aceitável: chorei. De medo, de dor, de desespero. De raiva, de tristeza, de dúvida. Chorei de lágrimas, chorei baixinho, chorei escandalosa, chorei no meu cantinho. Mas era preciso agir, pra isso eu estava ali.
Fui ao hospital, visitar o vovô. A danada veio comigo. Ficou em pé, na entrada, incógnita.
Ao fim da visita, fomos à uma pizzaria distrair-nos um poço. A bruxa veio conosco. Fazia caras e caretas para os nossos papos, achei até que ela ia palpitar. Chegava a ser quase amigável, só faltou comer com a gente.
Eis que um celular tocou. Má notícia: Meu avô teve uma arritmia e foi parar na UTI.
Saímos em disparada para o hospital. No carro, ela sentou-se ao meu lado, no banco de trás. Pela primeira vez eu a encarei. Ela também me encarou com aquela cara de Monalisa moribunda.
Chegando lá, enquanto esperávamos por notícias, ela tornou-se o assunto: Alguém sabe onde ele quer ser enterrado? Com qual terno? Enterra-se de sapato? Ela prestava atenção a todos os detalhes da conversa.
Achei aquilo meio mórbido e só não levantei pra quebrar os dentes daquela horripilante por três motivos: 1º porque não sei se ela os têm, 2º para não transparecer minha condição insana (olha a camisa de força!) e 3º porque morro - ops, não morro nada - tenho muito medo daquela foice.
Foi quando o médico veio nos dar o diagnóstico: “o quadro está estável, ele permanecerá na Unidade de Terapia Intensiva sendo monitorado e blá, blá, blá.”
Encarei a esquelética vuduzenta pela segunda vez. Agora olhei pra ela de cima tirando um sarro imaginário: “há-há-há, ainda não foi desta vez”.
Para minha surpresa ela me devolveu um olhar de compaixão. Desde então não vi mais sua foice.
Fomos para casa. A ordem era descansar e aguardar. Rolei na cama de um lado para o outro, mas o barulho daquela secretária do Zé do Caixão mastigando as batatas Pringles do meu avô - ela deve ter dentes – não me deixava dormir.
Consumida por um impulso avassalador, fui até a sala, arranquei as batatinhas de sua mão e gritei:
- Ei, versão sem photoshop da Mortícia Adams, o que é que você quer?
- Qual seu problema, loirinha? – ela retrucou.
Instantes mais tarde, despertei num susto, com aquela mão ossuda me dando tapinhas no rosto e lancei:
- Era isso! Eu morri de medo. Foi a mim que você veio buscar, não é mesmo?
Ao que ela emendou:
- Mas é claro que não. Deixe de bobagens, sua tola. Você apenas levou um susto e desmaiou. Medrosa.
- Mentira, você é fatal e traiçoeira...para onde é que vai me levar? – perguntei, já com medo da resposta.
- Agora sim podemos travar um diálogo – ela disse, com uma voz doce – Com a diferença de que será, na realidade, um monólogo.
Fiz cara de interrogação.
- Explico – a cara de osso foi dizendo – quem quer entender a vida, tem que se envolver com a morte. Não há como evoluir sem me encarar, sem me desafiar. Não há como seguir em frente com pavor de mim. É impossível transcender nutrindo a errônea idéia de que eu sou a cobradora final. A monstruosa senhora do mal.
“Sim, sou inevitável, mas eu não venho buscar ninguém. Sou parte do processo. A tão famosa e única certeza.
O que você não sabe, menina, é que eu não sou uma assombração gótica e muito menos tenho foice.”
- Realmente – fui eu que disse – não tenho mais visto sua foice.
- Esse foi seu primeiro passo na caminhada pela minha aceitação – agora foi ela que falou – Eu sou uma presença, uma energia. O máximo que você pode é perceber-me intuitivamente, sentir minha vibração.
“O resto é ilusão, fantasia, lenda. Alguém um dia, não entendendo nada, disse que é assim e pronto.
No entanto, vocês, que duvidam de tudo, acreditam nessa balela. Você sabe quem foi que me viu assim?
Não e nem por isso você questiona. Segue crendo numa falsa verdade que foi imposta há séculos atrás. Uma caricatura da morte que alguém fantasiou e todo mundo aceita como fato.”
Nesse ponto eu, que já estava íntima da síndica das trevas, resumo:
- Quer dizer, então, que a morte apareceu para mim para me dizer que não é má, nem aterradora, nem se veste de preto, nem...
- Calma lá – interrompeu-me ela – eu não apareci pra você, não sou um ser, mas sim uma presença, como já disse. E não apareci pra você porque eu vivo em você.
“Assim como em todos os seres viventes neste plano da dualidade. Eu vivo integralmente em suas vidas, já a morte é plena na vida e a vida é plena na morte. Mas é justamente isso que vocês relutam em aceitar.
Opostos, contradições, Yin e Yang. Não haveria equilíbrio ou harmonia se, assim como a vida, a morte não fosse uma presença constante e parte integrante de cada um de vocês.
Porém, o tabu ao meu redor é tão forte que vocês me personificaram. E com que mal gosto, hein?!”
- Mas eu não tenho um diálogo como este com a vida! – repliquei.
- Talvez não como este, mas você conversa com a vida o tempo inteiro e isso lhe é tão comum que você nem nota. E, da mesma forma que conversa com ela, deveria conversar comigo, pois juntas – vida e morte – somos UM consigo.
“Se agora você me vê aqui, é porque inconscientemente, sabe que sou parte de você e encontrou este jeito para me aceitar, para lidar comigo.
Agora que você já sabe que eu não tenho essa aparência, não me enxergará mais assim. Contudo, terá a todo momento, a convicção da minha inseparável companhia.”
Fez-se silêncio. Me perdi em reflexões e pensamentos confusos. Quando me dei conta já não via mais aquela criatura, mas sabia que a morte estava ali, assim como tenho certeza de que a vida está sempre aqui.
De repente tudo fez sentido: a natureza, os ciclos da vida, o tempo, tudo está em tudo... “e tudo acaba onde começou”.
“Morte, morte, morte que talvez, seja o segredo desta vida” (já dizia Raulzito).

Tuesday, March 28, 2006

E daí?

Daí que é tudo muito louco e de repente você esta á beira de um ataque de nervos olhando pra uma pessoa medonha que segura a placa “well come to real world”.
Ali, estático naquela situação “dead line” você ouve gritos de desespero, horror e medo de ambos os lados.
Você tem a nítida sensação de estar em queda livre graças ao frio na barriga crônico e aos batimentos enlouquecidos do seu coração.
De um lado fisionomias conhecidas e já um tanto tediosas. Do outro expressões assustadoras e garras prontas pra te esmigalhar.
E você lá, feito um trouxa! Sem reação alguma.
Até que finalmente você cai pra um lado, geralmente o de lá, por escolha, desequilíbrio ou empurrão. E aí, meu querido, já era.
Tem gente que só percebe que caiu um tempo depois. Tem gente que tenta de qualquer maneira escapar. Outros até voltam, mas é praticamente impossível.
A questão é que no mundo real, my darling, seus pais não são autoridade máxima, você não é uma princesinha, seu namorado não é aquele cara tão apaixonado. Você não pode dormir mais 5 minutos, sua turma não está sempre reunida e seu próximo compromisso não é a próxima balada. Ao contrário.
Além disso, palavras como: conseqüências, responsabilidades, trabalho e saudade, vão pouco a pouco fazer parte do seu dicionário.
E tchau sessão da tarde, tomar sol durante a semana, horas no telefone com as amigas. E tchau dormir até meio dia, fazer esportes ás 10h da manhã e balada forte de quinta- feira.
E você ali, sem nem mesmo se reconhecer, sem compreender o que está acontecendo. Eis que, no meio da madrugada, você desperta. Fritando na cama das 3 ás 7 da manhã, e você descobre que insônia realmente existe! Assim como pensamentos monstruosos e aterradores.
Ao levantar-se, desacreditando da situação, você se olha no espelho e tem mais uma revelação: olheiras também são reais, mesmo sem noitada, assim como dor de cabeça, cansaço e mau humor – sem ressaca.
Chegando na cozinha você percebe um sorriso irritante no rosto de sua mãe, ignora. Pergunta onde tem ASS e recebe a resposta mais tenebrosa da sua vida: toma uma aspirina!
Como assim, aspirina é coisa de adulto. Meus pais, meus tios...EU????
E então você se lembra da pessoa medonha com a plaquinha, dos últimos acontecimentos, da noite passada e, juntando tudo, percebe: eu sou adulto.
Well come to real world, meu chapa. Não te ensinaram isso nos barzinhos da faculdade, né?

É lindo ser

Pelo sim e pelo não faça a sua opção. Pouco importa a justificativa, não é pra definir é pra sentir.
Viver é escolher, é aprender a escolher. Escolhendo vai se descobrindo, se encontrando, se resolvendo e sendo cada vez mais aquilo que é. E o que é aquilo que é? É sermos aquilo que somos da maneira que quisermos ser.
Confusão no papel vira arte na vida real. Palavras, o corpo, notas musicais. Cores, texturas, formas áudio-visuais.
Não importa o instrumento, giz pastel ou pincel, cada qual vai procurando um jeito de extravasar tudo o que representa o seu ser.
E não dá pra entender, nem pra explicar. Só mesmo enlouquecer e o resultado vislumbrar. Pois se há tanta beleza nas formas de expressão, é porque é infinita a grandeza de cada existência e toda sua piração.

Crise

Fico eu aqui pensando nessa coisa de crise. Por que crise é, existe e todo mundo tem, passa e sabe bem mesmo que não dê nome aos bois.
Um momento complicado, uma situação difícil, um desafio que parece insuperável. Pronto, é suficiente para o sono mal dormido, o sonho- pesadelo, o mal humor do dia inteiro. Mulheres choram umas para as outras ou para elas mesmas em seus quartos escuros. Homens fecham-se em suas conchas, pálidos de desespero por não se reconhecerem.
O sexo frágil tem a bendita tpm de todo mês pra ensinar que tudo isso dói, mas passa. Os pobres heróis que não podem chorar, tentam sufocar seu próprio descontrole desviando a atenção, jogando a culpa, jogando bola.
A real é que, nem eles, nem elas, conseguem suportar a si mesmos nestas circunstâncias pois são no fundo apaixonados pelo brilho de seus olhos, pelo sons de seus sorrisos, pela graça de suas piadas.
E que Bom!!!! Afinal é isso que os faz dar a volta por cima e seguir com fé no espiral da vida. Melhor ainda seria se apenas nossas crises nos afetassem, mas não é assim.
A crise da amada desestabiliza o relacionamento. A crise do pai ou da mãe desarmoniza a casa, a de um irmão desentende a cumplicidade, a de um amigo desfalca a companhia e todas desequilibram a vida.
E doem no coração como se também fossem a nossa crise. Queremos soluciona- la, queremos abraça- la, queremos detoná-la. Mas não, devemos respeitá-la.
A pior sensação da crise é a solidão. Falta alguém que compreenda, sobram dúvidas. Falta alguém que ponha no colo e passe a mão na cabeça sem ficar perguntando, ou um silêncio confiante de quem já passou por isso. Falta um amor sensível que não se sinta culpado, que tenha paciência, que dê um abraço apertado.
Assim como falta da gente mesmo a tranqüilidade e confiança pra acreditar numa certeza: vai passar! E buscar entender as entrelinhas deste amontoado de estranhas sensações que, de fato, só vem pra ensinar. Falta a humildade, o auto- conhecimento. A oração. O otimismo.
Mas - e ás vezes mas é Mais – tem o doutor tempo, a respiração profunda, o desabafo aliviante, o banho quente, o consolo da vó (vó é ótima pra isso também).
As fugas do bem: a caminhada, o fim de semana, os amigos que insistem, o dia ensolarado, o beijo do namorado, um livro e outro, um filme que motiva, florais, terapia, homeopatia, pasalix, incenso, música, uma balada animada, um elogio no trampo...
E, de repente, você se pega sorrindo sozinho ao ver uma criança brincando. Esse é o segredo: no fundo, no fundo, mas lá no fundo mesmo, a gente morre de saudade da nossa criança e toda vez que ela se sente abandonada, faz de tudo pra chamar a atenção, chora, bate o pé e arma toda essa confusão só pra ninguém esquecer, que seja pra onde for, ela vai com você.
Passou...bem que a Vovó falou!!!

Como assim?

Como assim ás vezes as coisas podem se tornar tão complicadas? E mesmo que você queira de todo coração mudar algo na sua vida, parece que os pensamentos te atordoam e te convidam o tempo inteiro a continuar se comportando daquela velha maneira.
A sensação é, no mínimo, desconfortável. O medo quer imperar. Um frio na barriga. Uma angústia dolorida. Um nó que não quer soltar.
Pergunto-me o que fazer e juro que tento escutar, mas aquele lugar lá no fundo agora parece calar. Ou falar algo que não quero ouvir por ser exatamente o que quero mudar.
Sinto-me enlouquecida. Como foi que fiquei tão desequilibrada? Não consigo fazer escolhas e por mais que eu não pare de pensar, está difícil saber que atitude tomar.
Não sei se peço ou se agradeço. Nem sei se assim enlouqueço. Só sei que quero, quero, quero e não esqueço.
Deve ser falta do que fazer ou excesso do que sentir. Então o que é que eu devo fazer se o que mais quero é decidir?
Quem eu amo? O que eu quero? Será melhor ir ou ficar? Viagem, emprego, passado ou futuro? Só não estou presente, estou só no escuro.
Sinto um medo de ser derrotada por mim mesma, mas nem penso em desistir. Quero de novo me entregar, sem maquinar, só sentir.
E a vida vai passando outro dia vai se pondo. O telefone toca, será que estou me enganando?
Como ter a certeza do que é melhor pra mim se tenho todas as opções do mundo, se tenho o mundo dentro de mim?
Meu ponto de vista é infinito, vejo tudo de todos os ângulos. Subo, desço e agradeço, mas ainda angustiando.
Não sei se viro as costas, se vou conseguir esquecer, então procuro respostas que não consigo entender.
Há algo de novo em minha alma, há algo que não reconheço e que não me acalma.
De repente me sinto distante.
Queria gritar bem alto pra alguém vir me acudir. Queria uma seta vermelha apontando o caminho, piscando “é por aqui”.
Mas nada disso é possível, eu só posso desejar. Não me permito em hipótese alguma reclamar.
São todas as possibilidades que existe entre o céu e o mar, e eu que sempre vislumbrei o horizonte agora me perco a procurar.
Quem sabe o destino? Quem sabe o tempo? Quem sabe o que eu não sei?

Monday, March 27, 2006

Cada um com os seus

Regras, não criei nenhuma. Padrões, não fui eu que estabeleci. Valores, não coube a mim inventá-los. Leis e condições, certamente, não as concebi.
Se não fiz nada disso, deixei de fazer ainda mais: não dei sequer minha opinião em nenhum desses conceitos.
Simplesmente me foi dito que isso é o certo e o contrário é errado. E quem foi que lançou essa? Porque se foi o mesmo que inventou todo o resto, então não há sentido, é um perfeito pleonasmo.
Mas pleonasmos não são perfeitos, isso é fato. Assim como também é fato que não são perfeitas as regras, os padrões, os valores, as leis e as condições. Que começam sendo contraditórias dentro do próprio padrão que impõe.
Havendo democracia deveríamos votar nas leis antes de serem sancionadas, já que, a essa altura, dizer que elegemos representantes para fazer isso por nós até parece piada.
Existindo liberdade de expressão não há proibição e como cada um é um o que é de um jeito pra mim pode ser de outro pra você. Mas, é claro, há um limite que se mostra ultrapassado quando o outro é prejudicado.
De qualquer forma ir contra o senso comum resulta, na melhor das hipóteses, em polêmica. E o que é polemizar? É criar um conflito baseado em alguma atitude que vai de encontro ao convencional. E fazer isso de maneira tão bem feita que divide opiniões e provoca discussões.
Isso porque temos livre arbítrio e partindo dele a vida nos dá a opção de sermos o que querem que sejamos ou o que queremos ser.
E no final das contas resta a cada um viver ouvindo a voz do coração. Trilhando seu caminho e escrevendo a sua história sem ficar preso a padrão. Já que cada um é um e lhe cabe cuidar dos seus, eles que cuidem dos deles e deixem que eu cuide dos meus.

As vezes me dá um medo dos meus próprios pensamentos

Bem estranho porque tem horas que eles são tão contrários a tudo que penso, que eu duvido que sejam próprios ou sequer pensamentos.

Na verdade acredito que sejam vírus de pensamentos. É! Besteiras baseadas num medo, num antigo padrão que um dia foi estabelecido e que hoje, apesar de não mais fazer sentido, ainda tenta lutar contra a inevitável transgressão.

Tenta e não consegue, mas causa uma boa dose de angústia e ansiedade e até um desconfortável frio na barriga.

A última vez que passei por isso foi recente. Acordava com maus pensamentos e por mais que tentasse controlá-los e contradizê-los, eles me perseguiam por todo o dia aparecendo lá e cá.

O pior desse tipo de virose, não é o sintoma e sim a conseqüência. Porque é dito e comprovado que o que se pensa influi no que se vive. Agora pergunto: se penso algo que não quero, estarei eu fadada a viver algo que repudio?

Não sei, e muitas vezes já fui vítima desta angústia horrível.

O que sei é que o pensamento sobre o pensamento também tem poder. Dessa forma, jogo em cima de cada mau semente um saco de cinzas...Para que ela morra. E faço questão de adubar minhas sementinhas de amor com toda atenção que necessitam.

Se estou livre dos vírus? Creio que não. Mas não sou mais escrava deles. E percebo direitinho quando querem me pegar!!!

A Chuva e a Menina

A gente inventa um tempo, planeja, decide. Organiza e se prepara. Veste-se de expectativas.
Aí vem a chuva, o pneu fura, a meia calça rasga. A gente gagueja, perde o vôo, perde a fala. Ouvi um não e acha que é o fim, que tudo está acabado, fadado a terminar assim.
O mundo de repente fica cinza. O coelho foge da Lua. Nenhum lugar é confortável, nada é interessante.
A chuva vai caindo e da janela dá pra ver tudo que ela vai destruindo: os enfeites de papel crepon, os bonequinhos de papié maché, os vazinhos de argila e a varinha de condão de cartolina.
As pessoas correm, num êxodo tresloucado e nem se lembram da menina. Ela fica ali parada. Com o vestidinho encharcado vendo toda a confusão, olhando pro nada.
A menina chora. Alguém tenta falar com ela, tirá-la da tempestade, “venha para o coberto, você vai se resfriar”. E a menina chora.
Arranca do bolo destruído aquela velinha apagada e sai correndo sem rumo, sozinha e toda molhada.
Corre, corre, corre. Chora sem sair lágrima. Grita, esbraveja, não entende. Dá soco no ar, murro na árvore, pontapé na grama e aquilo não passa. A menina não sabe o que sente, nem sabe deixar de sentir.
O tempo passa.
Todos os anos, por toda sua vida nos seus aniversários, alguém relembra a história e conta dando risada. Ela faz que nem lembra direito e finge que acha engraçado.
Mas ela sabe que a chuva é doída, muito mais do que molhada, quando cai apagando a chama de uma vela que era encantada.
Ela estava de olhos fechados, fazendo o pedido mágico: queria ganhar uma estrela. E a chuva apagou seu sonho, com uma gota certeira.
Hoje é aniversário dela, ela não quer bolo e nem vela. Quer agora um cometa que a leve de volta pro seu planeta que é menos chuvoso e bem mais perto do céu.
Olhando da janela, ela faz o novo pedido e sabe que será atendido.
Então ela continua escrevendo, inventando a história perfeita: era uma vez uma menina que tinha uma estrela que morava no teto do seu quarto.
Hoje a menina não é mais menina, não tem medo da chuva, não faz planos, não usa relógio, nem se organiza com antecedência. Ela é dona da sua história e de muitas outras estórias. Cria essências, tempos e espaços. Faz um arco-íris aparecer e um cachorro falar, uma borboleta ir a escola e um lápis dançar.
Uma estrela ela nunca teve, mas tem o dom de encantar. Sonha alto, escreve tudo e ensina a sonhar.
A menina, que agora é mulher, aprendeu a se deixar levar, aceitar todas as suas “eus” e jamais ter medo de mudar.
Ela descobriu sua missão: tocar vidas com sua caneta encantada e devolver a elas o poder de se reiventar!

Tuesday, March 21, 2006

O tempo

O tempo é impiedoso. Quanto mais rápido queremos que passe, mais devagar ele acontece.
E quando precisamos de um pouco mais dele, vemos escorrer feito areia de ampulheta.
O tempo é o melhor remédio. Muito dele é sinônimo de espera. Esperar cansa.
O tempo pouco significa pressa. A inimiga da perfeição.
Que o tempo é do contra não se discute. Que ele cura também não.
Que tal nos dedicarmos á prevenção?
Aproveitar da melhor maneira o tempo que temos- muito ou pouco.
Poupar tempo em não discutir sobre ele que, definitivamente, segue metodicamente todo tempo o tempo todo.

É lindo ser

Pelo sim e pelo não faça a sua opção. Pouco importa a justificativa, não é pra definir é pra sentir.
Viver é escolher, é aprender a escolher. Escolhendo vai se descobrindo, se encontrando, se resolvendo e sendo cada vez mais aquilo que é. E o que é aquilo que é? É sermos aquilo que somos da maneira que quisermos ser.
Confusão no papel vira arte na vida real. Palavras, o corpo, notas musicais. Cores, texturas, formas áudio-visuais.
Não importa o instrumento, giz pastel ou pincel, cada qual vai procurando um jeito de extravasar tudo o que representa o seu ser.
E não dá pra entender, nem pra explicar. Só mesmo enlouquecer e o resultado vislumbrar. Pois se há tanta beleza nas formas de expressão, é porque é infinita a grandeza de cada existência e toda sua piração.

A quinta fase da Lua

Conversando com as estrelas eu soube da novidade. A lua estava enfrentando uma crise de identidade.
Fui, então, falar com ela e ver o que se passava e a lua desabafou com toda sinceridade:
“Cansei de ser vista com tanta futilidade. Cansei de ser para amantes, cansei de ser para músicas, cansei de ser consolo, cansei de ser bonita e até de ser brilhante.”
Interrompendo-na num rompante, perguntei à ilustre reclamante:
_ Do que não te cansaste então?
Não me canso de refletir no mar e ali tantas esperanças depositar. Não me canso de iluminar a areia e alimentar aquilo que ela semeia. Não me canso de aparecer de dia e mostrar a ousadia de quem não tem medo e tem fé, mas sente-se infeliz por não verem tudo o que é.
Não quero ser para a Terra aquilo que serve apenas para desviar os olhares da guerra. Quero que olhem para mim e sintam o poder e a perfeição daquilo que eu chamo “viver com paixão.”

Friday, March 17, 2006

Vida

Quero falar da vida. É mesmo pouco o que sei, mas o que souber falarei.
Em nada há tanta beleza quanto há na natureza. Os quatro elementos perfeitos cada um pra seus feitos. Fogo aquece e ilumina. Ar mantém vivo e anima. Água alimenta e renova. Terra sustenta e germina.
Há muito para ver, aprender, querer, fazer e ser. Há pouco tempo a perder.
E perder é horrível. Na vida o desejo é ganhar. Dinheiro. Sucesso. Atenção. O objetivo é conquistar. Quem não conquista não tem. Quem não tem não é. Quem não é, é ninguém e por isso sofrerá.
Ao contrário há o sonho. Nele basta acreditar e sentir-se muito grato por ao menos poder sonhar.
Amar também é preciso e o que representa deixa indeciso. Quem não sabe o amor que pede, quem não entende o amor que sente, quem não tem o amor que quer e quem nem sequer pede, mas sente.
As coisas da vida são mesmo difíceis de entender. Muito mais ainda, são difíceis de dizer. Ousar é precioso. Acreditar fundamental. O pedido se realiza, pois nada é absoluto, isso é real.
De um lado está a sorte, do outro lado o azar. A certeza da morte que só a fé ajuda a encarar.
O macro e o micro têm o mesmo semblante. Órbita terrestre e átomo aparência semelhante. É assim que são as muitas coisas que parecem diferentes a primeira vista e mostram-se parecidas à segunda olhada.
Viajar é bom. Voltar é melhor. Pensar é positivo e nunca no pior. Chorar faz parte, assim como sorrir. Extravasar emoções e, acima de tudo, sentir.
Querer mais não é querer tudo. Poder é controle da mente. Informação é trunfo. Vontade vem do coração. Desistir é negação. Exagero é “over” e não é uma boa dose. Não importa o que seja muito não, um pouco pode.
Pessoas não são fáceis, mas são sempre como são. Empatia é a chave e a fechadura é compaixão.
E com paixão é que se vive. Vivendo muda-se. Mudando adapta-se. Adaptando-se simplifica e simplificando encurta-se o longo e misterioso processo que é a realidade. Nessa de ir vivendo, vamos buscando uma identidade.
E um dia você pisca e descobre que é feliz. A lágrima escorrega. Não acreditam no que diz. O que importa se não entendem? Não te compete explicar. Viva agora encontrando o que um dia eles hão de achar.

Thursday, March 16, 2006

Que seja assim



Em meio a quilos, quilômetros e litros. Calorias, dias e quantias. Tenhamos coragem de ignorar as medidas e assim ultrapassá-las. Chegando num ponto tal em que beijos, palavras, abraços e sorrisos sejam os parâmetros.
E tudo o que seja feito e dito, seja também dito e feito. Nada de crime, pecado ou defeito. Nada e ninguém é perfeito. Quem erra arriscou, por ter ousado já acertou. Se for julgado, que importa? Sinta-se bem por ser falado, por causar confusão.
Já que no fim de tudo o que fica é a certeza da indecisão. A alegria invisível da dúvida. A angústia de viver e cada dia poder dizer: pra que ser anêmica se posso causar polêmica?
E cada pensamento seguinte venha vezes vinte. Vinte vezes pensado possa, então, ser sentido. Profundamente sentido que seja expressado. Da maneira que for. Extravase dor ou amor.
Que o desafio é: ser forte sem ser rude. Ser bom sem ser idiota. Querer sem obsessão. Comer sem exagero. E passar o tempo inteiro tentando achar o fio da meada. Fio de nylon ou de cabelo é difícil de ver, de sentir. É preciso viver pra decidir e entender pra discernir, que regras quebrar. Quando parar. Até onde ir.
Possibilidades infinitas. Estrelas no céu e no mar. Pôr do sol, reflexo da lua. Por impossível que pareça quem sabe um dia aconteça. Fé pra acreditar. Sempre, sempre sonhar. Já que energia é tudo e não há nada que a limite, meça ou sequer explique.
Há apenas intenção que resulta em canção. Canções. Melodias. Músicas. Que trilham sonora a vida com passagem só de ida. Para que o mistério do mar e o infinito do céu não causem medo.
Guardem em seu encontro um segredo. Que cada um de nós, a seu modo, possa um dia desvendar. Ou não...

Wednesday, March 15, 2006

Comigo tudo vira escrito

Comigo tudo vira escrito: meus dias, minhas agonias, meus sentimentos, meus sonhos. Meus pensamentos, meus afazeres, minhas atitudes.
Não sei como aprendi a ir assim arrastando uma caneta, formando alguma frase e expressando certo sentido de um jeito tão ritmado que insiste em ser rimado.
Amo e odeio essa mania que me traz tanto pra mim e me leva tanto do mundo. Quando me fecho no meu quarto e me esqueço, lembrando de tudo.
Vivendo a vida do meu jeito, num papel cheio de linhas onde tudo é como eu quero e as idéias todas minhas.
Aqui já não sinto medo, mas me sinto culpada e frustrada por saber que posso tanto e, na real, não faço nada.
Então resolvi fazer e, se esse livro chegou até você, saiba que estou feliz. Muito feliz! Pois meu sonho sempre foi tocar um coração, ao menos um, na multidão.
Como tantas vezes me senti mais humana ao me identificar com uma música, uma frase, um filme ou um personagem, sei que tenho a oportunidade de ser o canal por onde a vida flui e possibilita que alguém possa sentir-se mais confortável com sua existência ao ver-se aqui, nestas palavras e entrelinhas.
Sou um canal, todos somos. Gosto que seja assim. Somos, todos nós seres vivos, um infinito de sinais, mensagens, caminhos. Somos iguais, somos diferentes. Somos coletivos enquanto somos nós. E ainda assim, cada um, somos sós: eu, você, ele.
Vida e mente são processos sistêmicos, estamos interligados por uma rede de relações, pelo mesmo ar que respiramos, pelo mesmo planeta que habitamos.
Nossa vida comum não tem nada de normal. Ela é magia e encantamento a todo instante. Convivemos com milagres rotineiros, sobrevivemos indagando nossas próprias certezas, evoluímos desvendando mistérios, criando novas hipóteses.
É por isso que estou aqui, é pra isso que vivo agora. Para registrar nesse momento o que se passa em minha mente, em meu coração já que tenho a certeza de que isso é útil, apesar de outros acharem que não.
Hoje, aqui e agora, que é tudo o que tenho de tempo e espaço, algo me impulsiona a redigir este texto, a expressar essa mensagem. Não há uma voz, não há um misticismo...há uma presença eterna e infinita que se faz transmissível quando abrimos as veias de nossas almas para que ela corra incessante fazendo pulsar em nossos espíritos A ENERGIA DO AMOR que nos une e nos individualiza.
Siga por essas páginas de preferência duvidando de mim, de cada coisa que eu digo. O que há aqui é a minha verdade, posso contá-la ao mundo, mas ela é apenas minha, individualmente minha e cada um tem a sua. É questionando que se evolui, é encontrando a resposta que sempre esteve ali, que se transcende.
Obrigada pelo carinho e pela atenção. É uma honra tê-lo comigo.

E lá vou eu!


Agora versão blog - já que a vertente é virtual.

Uma coletânea de textos escritos entre minha adolescência e juventude, dos 15 aos 25 anos. Momentos de crises, dúvidas, decisões, descobertas e escolha.

Agora, que nada disso passou, continuo buscando saber quem sou, o que quero e para onde vou.

O que mudou – já que o temperamento continua explosivo – é a certeza de que o tempo passa rápido, cura tudo (ou pelo menos diminui a dor) e agora é a hora.
Por isso aqui estou!

No mais, a importância do senso de humor que, ao lado da inteligência e educação, forma o trio da alegria fundamental pra quem se adapta a qualquer situação.

Com um quarto de século posso dizer que me sinto mais mulher. E que definitivamente a criança que há em mim continua querendo dormir entre os pais, comer quilos de chocolate e chora quando é rejeitada. Mas também abraça árvores, ama os animais e bala mole de morango.

Então, eu cresci. Ora vejam!

Como sempre meio atrasada na prática e muito á frente na teoria...

Essa sou eu. Mais uma vez tirando as máscaras, dando a cara para ler. Eu e o meu frio na barriga.
Enjoy!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!